If My Heart Could Only Walk, de Artur Aleixo (edição de autor) Composição e paginação de Tiago Santos Desenho de Andreas Vesalius
Este 2º livro de poesia do Artur Aleixo (edição de autor) revelou-me a Morte, não como algo que nos espera, mas como entidade que nos (per)segue no nosso quotidiano. Embora se faça sentir mais intensamente quando perdemos alguém (seja pelas mãos da própria Morte ou do Amor) ou algo. É no tic-tac do relógio que ela lentamente se revela, no tempo perdido numa fila de trânsito, numa aula de Mineralogia... (In)conscientemente os nossos corpos têm esta percepção e reagem com violência. É esta tomada de consciência que nos torna seres prenhes de imediatismo - "ávidos de prazer e esquecimento". Penso que são estes os únicos elementos que tornam suportável a nossa estranha condição. Aqui fica um dos meus poemas favoritos...
Keine Melodie
Passeámos no último dia do Sudoeste, apartando o corpo da despedida. A relva, massacrada, deixará de ressaltar após ser pisada; prenunciava a ausência de futuro para o que designáramos: encontros sem importância. Razoável inconsciência - afinal, surgimos do amor e à morte com a mesma destreza - a de corpos fatigados e cruéis, ávidos de prazer e esquecimento - a luxúria suprema.
Partindo deste pressuposto, é recomendável a leitura deste tratado a todos os cavalheiros que pretendem enveredar por essa estranha instituição que é o casamento. As meninas também o poderão fazer, mas cuidado, a abertura do livro é bastante elucidativa:
“A mulher que, atraída pelo título deste livro, tiver a tentação de o abrir, pode dispensar-se disso, porque já, inconscientemente, o leu.Por mais malicioso que possa ser um homem, nunca dirá tanto de bem nem tanto de mal das mulheres, como elas pensam de si mesmas.Se, apesar deste aviso, qualquer senhora persistir em ler esta obra, deverá a delicadeza impor-lhe a lei de não maldizer o autor, desde o momento em que ele, privando-se das aprovações que lisonjeiam os artistas, deixou de algum modo gravada sobre o frontispício do seu livro a prudente inscrição lida à porta de alguns estabelecimentos:É vedada a entrada às senhoras.”
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Elle avait des bagues à chaque doigt, Des tas de bracelets autour des poignets, Et puis elle chantait avec une voix Qui, sitôt, m'enjôla
Elle avait des yeux, des yeux d'opale, Qui m'fascinaient, qui m'fascinaient Y avait l'ovale de son visage pâle De femme fatale qui m'fut fatal
On s'est connus, on s'est reconnus, On s'est perdus de vue, on s'est r'perdus d'vue On s'est retrouvés, on s'est réchauffés, Puis on s'est séparés
Chacun pour soi est reparti. Dans l'tourbillon de la vie Je l'ai revue un soir, aïe, aïe, aïe ! Ça fait déjà un fameux bail
Au son des banjos je l'ai reconnu Ce curieux sourire qui m'avait tant plu Sa voix si fatale, son beau visage pâle M'émurent plus que jamais
Je me suis soûlé en l'écoutant L'alcool fait oublier le temps Je me suis réveillé en sentant Des baisers sur mon front brûlant
On s'est connus, on s'est reconnus, On s'est perdus de vue, on s'est r'perdus de vue, On s'est retrouvés, on s'est séparés, Puis on s'est réchauffés
Chacun pour soi est reparti. Dans l'tourbillon de la vie. Je l'ai revue un soir ah là là Elle est retombée dans mes bras
Quand on s'est connus, Quand on s'est reconnus, Pourquoi s'perdre de vue, Se reperdre de vue ? Quand on s'est retrouvés, Quand on s'est réchauffés, Pourquoi se séparer ?
Alors tous deux, on est repartis Dans l'tourbillon de la vie On a continué à tourner Tous les deux enlacés